TAKETINA em São Paulo (com Henning von Vangerow) de 25/7 a 23/8

taketina1Se você já praticou tai chi, ioga, meditação ou kung fu, sabe bem que o corpo pode ser usado para transformar a mente. Apenas ficar sentado imóvel contra a parede por algumas horas é o suficiente para trazer à tona medo, carência, torpor, confusão… Agora imagine adicionar movimento e vocalizações call and response!

Essa estranha mistura de música, meditação e terapia deu origem à TaKeTiNa, técnica criada há 40 anos que usa o ritmo pelo corpo para transformação da consciência. Tentamos acertar os passos assim como tentamos controlar a vida. Surge frustração, medo, raiva, ansiedade, mas, como diz a Zorina (no vídeo abaixo), nada mais está acontecendo além de passos e palmas! Já que o controle não funciona diante de uma polirritmia, aprendemos, sem querer, com o corpo, um outro modo de viver.

Parece teórico, mas até hoje não conheci ninguém que chegou ao fim de uma sessão sem brilho no olho e um sorriso besta no rosto. Agora, se está imaginando uma sonoridade calma e tranquila, ao melhor estilo new age, sinto lhe decepcionar: o som produzido muitas vezes é rápido e complexo. Mind blowing. Não é por acaso que criador da técnica reuniu os melhores percussionistas do mundo (incluindo Zakir Hussain, Glen Velez e o brasileiro Airto Moreira) no projeto Megadrums.

Depois dessa introdução, quero avisar que o psicólogo alemão Henning von Vangerow, professor de TaKeTiNa há 25 anos, conduzirá vivências gratuitas e workshops de TaKeTiNa em São Paulo durante 5 finais de semana. Eu tive a sorte de acompanhá-lo em abril do ano passado, tocando surdo e ajudando em todos os workshops intensivos e dinâmicas abertas (veja fotos). Um deles foi com o pessoal dos Barbatuques. Eles adoraram e já confirmaram participação agora também.

Agradeço a querida Ana Thomaz por trazer o Henning novamente e fazer isso tudo acontecer.

Para quem não sabe, conheci a técnica diretamente com seu criador, o músico austríaco Reinhard Flatischler, em 2000, durante um workshop de 4 dias. Desde então venho treinando e ano que vem serei o primeiro brasileiro a participar do TaKeTiNa Rhythm Teacher Training, em Portland. Quero trazer a técnica em definitivo para cá e oferecer práticas semanais.

O que é TaKeTiNa?

TaKeTiNa é uma jornada coletiva polirrítmica que…
• Desconstrói nossos condicionamentos mentais e corporais
• Integra ritmos e vocalizações indianas, africanas, cubanas, entre outras
• É fruto de pesquisas em neurociência, teoria do caos e musicoterapia
• Acessa arquétipos rítmicos que relaxam e revitalizam o corpo
• Desenvolve atenção, vivacidade, estabilidade e empatia
• É meditação em movimento, repouso em nosso silêncio interior

taketina2TaKeTiNa é um processo original que nos permite acessar o ritmo primordial que todos nós possuímos, criando música de uma forma natural e orgânica, com passos, palmas e vocalizações. Durante o processo de TaKeTiNa os participantes aprendem a criar ritmos diferentes em vários níveis. O racional e o emocional, o som e o silêncio, a ação e a pausa, o caos e a ordem são experimentados simultaneamente.

Sem esforço, expandimos nossa percepção, não apenas musical, mas em nossa vida cotidiana. TaKeTiNa tem o potencial de nos alinhar com a vida e nos despertar de maneira divertida ao estado do aqui e agora.

TaKeTiNa é direcionada para:
• Músicos, atores e artistas em geral
• Terapeutas e praticantes de meditação
• Médicos, psicanalistas e psicólogos
• Educadores, professores e agentes sociais

Veja um vídeo com depoimentos e trechos de uma sessão de TaKeTiNa. É bem simples e mostra só o básico, mas enfim, já dá uma noção:

Inscrições e informações:

25 de julho a 23 de agosto de 2009
Sábado e domingo, das 10h30 às 17h
Investimento: R$ 300,00
Serão 5 grupos. Escolha um fim de semana e inscreva-se!

Espaço Caçamba de Arte (com Ana Thomaz)
Rua Muniz de Sousa, 517 – Aclimação | Veja o mapa!
11 3399.4257 | 8308.1381
cacambadearte@terra.com.br

Henning von Vangerow

die_gruppe

Ator, psicólogo e professor avançado de TaKeTiNa. Estudou com o criador da ténica, Reinhard Flatischler, desde 1985 e atualmente conduz workshops de TaKeTiNa por toda a Europa. Veja seu site oficial.

Texto sobre TaKeTiNa

No ano seguinte ao meu primeiro workshop, ainda continuava profundamente alterado por aqueles 4 dias (foi em abril de 2000, logo que entrei na faculdade). Em alguns períodos, eu tentava praticar sozinho quase diariamente. Para explicar minha empolgação a alguns amigos, transformei ritmos em palavras e produzi um breve ensaio sobre minha visão na época. Fui de Taoísmo a Pierre Lévy, viajei, mas foi algo autêntico. Se tiver interesse, leia.

Não perca!

São poucas as coisas que eu recomendo 100%, raras experiências que todos devem passar pelo menos uma vez na vida. TaKeTiNa é uma delas. Inscreva-se!

UPDATE! Vai rolar uma demonstração gratuita (nem se compara à profundidade do workshop intensivo, mas é um aperitivo) dia 14/8, sexta, das 20h às 22h, no Espaço ulaBiná (veja o mapa).

Ciclo de 7: uma aula de Glen Velez e Lori Cotler

O ciclo em 7 é, talvez, o preferido da Lori Cotler. No primeiro vídeo abaixo, ela canta um tema genial (e simples) e abre para um solo do Glen Velez. No segundo, ela improvisa dentro do 7. Acompanhe marcando com palmas:

|| 1__2__3__4__5__6__7 ||
|| ta ke di me ta ki ta||
|| x__-__x__-__x__x__- ||

Tema e solo do Glen Velez no tar

Improviso da Lori Cotler (konnakol). O Glen toca riq.

Ciclo de 35 pulsos: polirritmia 7 contra 5

Estava brincando com o Audacity, sobrepondo várias camadas rítmicas, e acabei gravando uma polirritmia 7:5 (7 contra 5). Não é algo musical, mas penso que serve bem a quem deseja treinar algo inusitado e ter uma base para alternar improvisos em 5 e em 7 numa mesma música, algo bastante raro.

Fiz uma base tradicional vocalizada em 7 apoiada por algumas batidas num tar pequeno e agudo, depois caxixi marcando em 5, outro em 7 e uma segunda voz entrando com frases em 5 (também apoiada pelo tar). Relevem os erros de sync porque minha edição no Audacity não foi nada cuidadosa. Vejamos como fica a notação disso (“x” é acento):

Voz e tar em 7:

|| 1__2__3__4__5__6__7 ||
|| ta ke di me ta ki ta||
|| x__-__x__-__x__x__- ||

Caxixi principal em 5:

|| 1__2__3__4__5 ||
|| x__-__x__x__- ||

Voz em 5 (ciclo duplicado, se o de cima é colcheia, aqui vocalizo semicolcheia)

|| 1__2__3__4__5__| 1__2__3__4__5 ||
|| ta ki ta ki ta | ta ki ta ki ta||
|| x__-__x__-__-__| x__-__x__-__- ||

Caxixi em 7 (ciclo duplicado, fica nítido apenas ao fim da gravação, também semicolcheia):

|| 1__2__3__4__5__6__7__| 1__2__3__4__5__6__7 ||
|| ta ki ta ki ta ki ta | ta ki ta ki ta ki ta||
|| x__-__x__-__x__-__-__| x__-__x__-__x__-__- ||

É claro que tudo isso só se cruza depois de 35 tempos, uma puta jornada para quem está acostumado com os 16 tempos tradicionais de 80% das músicas! Para os ocidentais, o compasso total é de 35/8, composto por 5 compassos 7/8 tocados simultaneamente com 7 compassos de 5/8. Ou, para ser mais simples, um ciclo grande 35 composto por 7 ciclos de 5 e 5 ciclos de 7 simultâneos, formando a polirritmia.

Ouça e treine comigo:

 

Se não estiver visualizando o player, baixe o MP3.

Eu passaria um dia inteiro só me perdendo dentro desse ciclo!